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terça-feira, 6 de abril de 2010

Novo acordo ortográfico da língua portuguesa

Reflexões sobre os usos e desusos do trema no protuguês do Brasíl. ( aberto a discussões e opiniões)

Desuso do trema



Ao longo de todas as reformas ortográficas brasileiras, o trema sempre foi perdendo utilidade em diversas palavras. Após 2012, finalmente, deixará de ter função e será extinto da língua portuguesa.

Embora durante todas essas reformas, muitas palavras, mesmo tendo perdido a grafia do trema tenham mantido sua pronúncia "tremática", quero demonstrar aqui que isso não vai mais acontecer devido à sua extinção e conseqüênte desuso, afinal ainda temos até o final de 2012 para utilizar esse sinal gráfico.

Não muito tempo atrás, algumas palavras da língua portuguêsa brasileira possuíam trema e hoje não possuem mais tais como: Liqüdo; aqüifero;aqüilégia; aqüeo. Também em eqüi, eqüilátero, eqüidistânte e outras tantas.

Para muitas pessoas que nasceram depois dessas reformas ortográficas a palavra freqüência jamais utilizou trema, mas até a década de 1980 esse vocábulo era escrito necessariamente com o trema. Manteve sua pronúncia inalterada devido a manutenção do sinal gráfico no contexto gramatical.

Nessas reformas ortugráficas internas, essas palavras deixaram de utilizar trema em sua escrita. As reformas jamais mexeram na questão pronúncia, assim como determinado no acordo ortográfico feito entre todos os países de língua prtuguêsa. Porém muitos desse vocábulos foram alterando a pronúncia naturalmente, enquanto outras se mantiveram inalteradas mesmo com a ausência do sinal.

Mas será que existe fala sem escrita e escrita sem fala?

Vamos tomar como base a palavra liquido, que já há algum tempo não possui mais trema. Antes em líqüido a palavra tinha uma outra pronúncia, como ( lícuido). Hojé seria considerado arcáico se falar dessa forma, mas ainda existem muitos brasileiros que se utilizam do vocábulo da mesma forma que o aprenderam, convivendo assim duas pronúncias da mesma palavra num mesmo momento histórico.

Na palavra frequência, embora o trema tenha sido eliminado, a pronúncia não foi afetada e continuamos falando (frecoência). acredito que isso se deva ao fato de ainda podermos ter como explicar o uso do trema. Porém, o sinal deixou de ter função ortográfica, portanto, não tem mais explicação gramatical, somente histórica.

Desse momento em diante peço a colaboração do leitor, com o objetivo de demonstrar uma tendência, que leia e pronuncie as palavras que não aparecerem com trema, sem o hábito oral do uso do trema.  Afinal de contas esse sinal não tem mais função alguma e se foi abolido não é mais para ser utilizado. Portanto, em linguiça, sem trema, vamos pronunciar o fonema como em preguiça ou braguilha, frequencia como em enquete e assim por diante ok?


Na grande maioria das vezes, temos que corrigir nossas crianças ao pronunciarem a palavra linguiça, pois elas sempre tendem a não utilizar essa variação advinda do trema não é mesmo?  Mas qual argumento você terá como base, para dizer à sua criança que não é assim que se fala é assado, depois da efetiva extinção do trema?

Não existe mais a função do trema na língua. Você terá que contar uma estorinha para a criança e no final ela vai perguntar: Se deixou de ter função por que eu tenho que utilizar? Você não vai encontrar nada escrito com trema, vai ter que se desdobrar para encontrar gramáticas antigas para demonstrar.

Quem tem gramática antiga em casa?
Tem a internet.
Mas para quê você vai se desdobrar para esclarecer algo que não se usa mais?
Maneirísmo, diferencial cultural?

Todos nós brasileiros sabemos que português é um "pobrema " para grande parte da população que fala "praca", "latra", biscoito "grobo"  e muitas outras. Além de muitos universitários que não sabem o que é um subjuntivo ou futuro do pretérito. Imperfeito do subjuntivo então deixa grande parte da população de nível superio de cabelo em pé.

Problemas educacionais? Com certeza.

Já que eu falo corretamente e sei utilizar os tempos verbais, não preciso saber o que são essas coisas.  Já ouvi muito isso de meus alunos de inglês e de espanhol. Não aprendem direito as línguas estrangeiras modernas por conta de não saberem fazer correspondências gramaticais em seu próprio idioma.

Essas pessoas vão saber contar a história do trema?

Quando seu filho fala líquido você o corrige dizendo que a pronúnca é liqüido e liqüidificador ou você deixa como está e acaba ficando assim mesmo? Hoje fala-se liquidez e de onde isso vem? Se caiu o sinal perdeu a função, se perdeu a função perdeu o uso. É simples.

Quando lemos temos a tendência de ler e falar da forma que está escrito, tanto que quando vemos alguma palavra escrita de forma errada, vira uma chacota só, até noticiário ou programa de entrevistas tira proveito dos erros crassos do português. Daí a reflexão sobre a fusão da língua escrita com a falada.

Será que é possível dissociar uma da outra?

Para um analfabeto só existe a língua falada e para o deficiênte auditivo só existe a escrita e libras. Essas são as poucas, senão  únicas formas, ao meu ver, de existir língua escrita sem língua falada e/ou vice versa. Até o deficiênte visual tem sua grafia.

Quero demonstrar aqui que a tendência das pessoas é se adequarem às novas regras com facilidade. As novas gerações se utilizarão dos vocábulos na forma escrita que se apresentarem para elas. Podemos falar lingüiça, entretanto, ao lermos linguiça tendemos a observar a ausência do sinal, mas se este não existe mais fica correto do jeito que está.

Naturalmente vão surgir os questionamentos ( que também já teve trema e se pronunciava qüestionamento) e estes, na minha opinião, serão tratados como algo arcáico da língua e serão postos de lado, assim como em conseqüência será. Ao lermos consequencia, consequentemente falaremos com o mesmo fonema de sequer, quero e queijo.

Quem muda a pronúncia não é o decreto e sim as novas gerações. O decreto altera as determinações do uso escrito que se reflete na oralidade. Através da ausência de uma explicação gramatical, por parte daqueles que ainda se utilizam da pronúncia antiga das palavras que perderam o trema, o brasileiro se adaptará, como se adaptou à liquidez e a tantas outras palavras que hoje nem nos lembramos que já tiveram trema.

Dessa "preguiça" intelectual com relação à língua protuguesa brasileira é que tiro essa tendência nacional de deixar como está para não complicar. Ao se deparar com o filho falando sequência o pai pode até dizer que é seqüência que se fala, mas vai ter que explicar o porque de ser pequeno e não peqüeno. Já que a grafia é a mesma,  não terá argumentos científicos para dizer ao filho que ele está errado.

Somente na ignorância é possível que se imponha ao filho que é assim porque é assim que deve ser e pronto. Do contrário, a única coisa que se conseguirá fazer é confundir a cabeça da criança desnecessariamente. É possível que ocorra o fenômeno de pessoas que continuem lendo por hábito algo que não está lá, assim como em frequentar e aguentar. Mas esses, não terão argumentos sólidos para se embasarem, caso haja um questionamento mais profundo.

Enquanto se conviviam duas ou mais gerações, anteriores e posteriores às reformas, era possível buscarmos explicações para as diferenças,  pois o uso do trema ainda não havia sido extinto, coexistindo pacificamente. No momento em que o sinal é extinto, as diferenças deixam de existir, pois a única explicação que havia para a diferença era o sinal gráfico que atestava e sacramentava a diferença. Hoje não temos uma ressalva fonética no novo acordo ortográfico que garanta a utilização de algo que não está lá.

Onde buscaremos apoio científico para convencermos um adolescente que é consangüineo que se fala e não consanguíneo, se falamos sangue, se conseguir não é consegüir e a forma é idêntica? Não existe mais o sinal, portanto não existe mais a diferença.

Não foi pensado assim?
Mas foi feito assim.

Os sinais gráficos são diferenciadores escritos para aquilo que falamos. Para diferenciar Pará ( estado brasileiro) de para ( preposição) e de pára (verbo) temos que utilizar sinais gráficos, nesse caso o acênto agudo.
Se o acento agudo fosse extinto como o trema foi, como diferenciaríamos todos esses vocábulos?
Não diferenciaríamos, viraria tudo Para, para, para.

Ah!, mas no contexto fica tudo implícito!
Mas quanto tempo dura o contexto?

Enquanto gerações que conhecem a diferença conviverem juntas o contexto poderá até permanecer implícito. A partir do momento em que a diferença é extinta, não há mais motivos para se diferenciar, caso cotrário, não teriamos acentos na gramática não é mesmo?


O fato de não podermos mais utilizar um sinal gráfico, gera inicialmente um contexto estético inaceitável para a grande maioria que teve contato com uma outra forma de se falar. Soa feio aos ouvidos a palavra linguiça, mas liquido também já soou feio e hoje em dia é regra dentre os falantes brasileiros. Tudo é uma questão ( que já foi qüestão) de educar o ouvido a apreciar as mudanças.

Na minha opinião, o hábito de se ouvir é que gera a aceitação das mudanças. Nesse caso em especial, ainda não tivemos a oportunidade de ouvir com frequencia todas essas alterações, pois não houve tempo suficiênte para que novas gerações nos tragam essas pérolas que apenas passarão a ser inexplicáveis a partir de 2013.

Enquanto ainda podemos fazer diferenciações, nos manteremos em nosso hábito de fala e escrita. Depois da efetiva extinção do trema, não teremos como argumentar que alguém está errado em falar de outra forma, pois a base dessa diferença simplesmente deixará de existir.

Ficará nos anais da história, assim como ficaram centenas de outras palavras que ao longo das mudanças alteraram a pronúncia e hoje nem nos atrevemos a dizer que já foi diferente um dia.

Eliomar Lopes Santarem
Swammy Anand Viboddha

3 comentários:

Simplesmente Tiago disse...

Bem, concordo com você em relação ao trema. Acho desnessário tirá-lo. Ele é que indica que, em certas palavras, o "u" é pronunciado.Mas, como eu vi num blog,seria muito difícil reentroduzir o trema nos outros países de língua portuguesa que segue a ortografia de Portugal que não usa mais esse sinal gráfico a mais de 50 anos. Quiseram uniformizar a língua,então melhor tirar o trema de vez, já que a maioria dos países não o usa. O jeito agora é procurar o dicionário pra saber como determinada palavra é pronunciada.

Léo Santarem - Anand Viboddha disse...

Olá Tiago. Em primeiro lugar gostaria de agradecer o comentário. Em relação ao dicionário, não será possível consultar a pronúncia, pois não haverá mais trema... essa ficha ainda não caiu porque a reforma ainda não entrou em vigor, mas quando entrar o trema deixará de existir, portanto, não constará de nenhum instrumento gramatical, virará história. Em países onde não existe o trema, as palavras são pronunciadas de acordo com o que é escrito e vamos acabar pronunciando como eles...Grande abraço.

Léo Santarem - Anand Viboddha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.