Este conto diz respeito a uma viagem que fiz para a Ásia no final do ano de 1998 e parte de 1999.
Brasão da família Santarem
Cap 1
Dando um salto
No final de 1998, eu estava no auge de uma crise muito forte de identidade e precisava me redescobrir como ser humano, mas não estava em condições emocionais de fazê-lo sozinho. Todos que me rodeavam naquela época, acreditavam que a crise era causada por um relacionamento afetivo conturbado que também me afligia. Porém, eu não acreditava que toda aquela crise se devesse a uma pessoa que não fosse eu mesmo.
Embora relacionamentos afetivos em crise me afetassem fortemente, na época, toda aquela revisão de vida não poderia ser causada apenas por aquele desconforto afetivo. Muito do que eu estava sentido dizia respeito à vida afetiva, mas a maior parte daquela confusão emocional vinha da minha configuração de vida naquele momento, a qual não me satisfazia.
Eu havia acabado de mudar de profissão, estava acostumado a viajar muito a turismo devido à carreira de agente de viagens, que como professor de inglês eu ficava impedido de fazer, e aquelas viagens estavam me fazendo muita falta.
Além da queda no meu padrão de vida, pois já tinha alcançado o topo da carreira, havia aquele cotidiano monótono de acordar cedo e preparar aulas, nada de drink tours, fan tours ou viagens de final de semana para qualquer lugar do mundo, às quais eu estava acostumado.
Incomodado com todo aquele turbilhão de emoções, resolvi tomar decisões bastante radicais para tentar me jogar para cima, mas tudo que eu tentava me remetia novamente à minha crise existencial. Até que...
Numa manhã de dezembro, recebi um telefonema de uma amiga que estava muito feliz e me informando sobre sua viagem para a Índia. Tudo já estava pronto e ela havia acabado de pegar seu visto. - Vamos para a Índia? Ela perguntou. Eu disse: Vamos! Ela riu e retrucou: Do jeito que você falou eu até acreditei.
Confirmei: Eu estou falando sério. Minha vida está tão complicada que só uma viagem para um lugar tão exótico quanto a Índia vai poder me ajudar. No mesmo instante ela agarrou a idéia e em quinze dias eu estava viajando para a Índia com ela.
Eu já meditava desde 1990, quando fiz um campo de meditação durante o carnaval daquele ano e dali não parei mais.
Durante toda essa movimentação de visto e vacina contra febre amarela, fiquei sabendo que a mãe dela estava muito doente e correndo risco de morte. Ela me dizia sempre que havia a possibilidade de ela não rever mais a mãe, pois ficaria muito tempo fora do país, cerca de três meses.
Já no aeroporto de São Paulo, quase na hora do embarque para Londres, recebemos a notícia da morte da mãe dela. Solidário, eu disse a ela que poderíamos cancelar tudo e viajar para Minas Gerais. Depois do enterro viajaríamos para Londres e de lá para Bombaim.
Ela me disse que não adiantaria nada mudar tudo, a mãe dela já havia falecido mesmo e não havia nada que pudessemos fazer.
Alguns dias antes ela havia viajado para ver a mãe, já sabendo que aquela poderia ser a última vez que a veria, fez todas as declarações de amor e afeto e se despediu.
Prosseguimos como planejado...
Chegamos a Londres e fomos visitar uma amiga alemã que tinhamos em comum, uma modelo linda que eu havia conhecido uns dois anos antes no Brasil em um passeio pela Chapada dos Veadeiros. Ficamos hospedados na casa dela em Londres por três dias. Passeamos bastante e no mesmo dia em que fomos para Bombaim ela foi para Tóquio, de onde regressaria apenas em março do ano seguinte.
Deixamos uma bagagem razoável na casa dela, pois toda aquela roupa de inverno não serviria de nada na Índia. Também queria usar roupas indianas para não ficar tão estrangeiro.
Foi uma viagem tranquila, embora longa, até pousarmos em Bombaim, hoje Mumbay. Se eu achava a Europa populosa e com pouco espaço, imagine minha surpresa ao chegar na Índia. No aeroporto um choque cultural, eu não sabia por onde ir, o que fazer, com quem falar, foi um caos geral até entender como funcionava tudo aquilo.
Finalmente, após duas horas, conseguimos sair do aeroporto. Outro choque. Milhares de pessoas nas ruas, dividindo os espaços com animais variados criados soltos, carros, caminhões, bicicletas, motocicletas e juriquixás que me deixaram bastante atordoado.
Toda aquela movimentação sem faixas, com escassos sinais de trânsito,buzinas ensurdecedoras o tempo todo. Parecia que eu estava ficando louco. Ainda iríamos para Puna, outra viagem chocante.
Pensamos em pegar um trem, mas ao chegarmos na frente da estação, nos deparamos com um número tão absurdo de pessoas que decidimos ir de táxi. Um carrinho preto inglês da década de 1950, super confortável, daqueles modelos quatro portas e bancos vermelhos, parou em frente a nós e nos ofereceu uma corrida por quinhentas rúpias, cerca de dez dólares. Muito barato para aquela viagem.
Entramos no taxi e um pouco antes de partirmos, um casal de alemães que também estava indo para Puna, nos abordou e sugeriu que fossemos todos juntos. Decidimos ir os quatro.
Foi realmente uma aventura. As rodovias eram muito estreitas, esburacadas e bastante congestionadas. Caminhões coloridos e velozes, com motoristas apressados e imprudentes, ameaçavam chocar de frente conosco durante toda a viagem, foi muita adrenalina e tensão psicológica até o final do trajeto.
Após cinco horas naquele suspense chegamos a Puna. Uma viagem que duraria no máximo uma hora e meia em uma rodovia européia ou mesmo brasileira. Dei graças a Deus que haviamos chegados sem acidentes nem maiores complicações.
Coregaon Park, nosso destino final, parecia uma volta ao passado, prédios muito antigos e diferentes uns dos outros, de uma arquitetura variada e desforme, juntavam o feio e o bonito, o luxuoso e o simples, o exótico e o comum em uma mesma rua.
As pessoas eram alegres e coloridas, convivendo nas ruas com toda espécie de bichos: Cães, gatos, vacas, porcos, corvos, cabras, cavalos... O rural e o urbano separados por uma linha tênue de plantações de milho e outros cultivos. Puna era a cidade escolhida pelos ingleses, na época da dominação, para descanso e lazer devido a suas características de cidade menos poluída e de exuberante natureza.
Era a virada do ano novo, mas na Índia era um dia comum como outro qualquer. Somente os estrangeiros que estavam no Ashram do Osho comemoraram, pois o calendário dos indianos é bem diferente do ocidental.
Foi uma correria muito grande naquele dia para que conseguíssemos nos juntar aos demais estrangeiros. Além de termos que preencher toda uma papelada para ingressarmos no Ashram, tivemos que comprar roupas apropriadas para meditação, fazer exames de HIV, encontrar local para morar e aguardar pelas carteiras de acesso ao centro de meditação.
Enfim, conseguimos comemorar nosso reveillon com os milhares de outros estrangeiros de todos os lugares do mundo que também estavam no Mira Barn, um dos espaços de meditação e trabalhos artísticos do Ashram.
Foi uma super festa com pessoas maravilhosas e muito espiritualizadas. Era possível ver nos semblantes, a luz que emanava da elevação espiritual das pessoas que já estavam lá há meses e até mesmo anos em terapia e meditação. Foi uma noite realmente inesquecível.
No dia seguinte...
Dormi até umas dez horas da manhã. Ainda estava meio atordoado pela diferença de fuso horário que ainda durou alguns dias. Mas nada que pudesse me atrapalhar nas tarefas do dia. Tive que encontrar um apartamento, quarto, sala ou o que fosse possível encontrar próximo ao Ashram do Osho. Onde eu pudesse me instalar confortavelmente e ter tempo hábil de chegar ao Ashram todos os dias, invariavelmente às seis horas da manhã, para a primeira meditação do dia.
No roteiro diário, a primeira atividade era a meditação dinâmica, uma bioenergética de uma hora e dez, mais potente que qualquer energético que eu já tenha experimentado. Me deixava desperto e cheio de energia para o dia inteiro.
Após o café da manhã que, diga-se de passagem era excelente, havia sempre uma terapia ou duas até a hora do almoço. À tarde, outra terapia ou os discursos do mestre no buda hall. Às quatro horas da tarde a meditação Kundalini, que objetivava um relaxamento e harmonização do corpo. Depois ficávamos livres para qualquer tipo de atividade oferecida pelo Mira Barn ou outro setor do centro. Sempre optei por pintura, desenho, dança, artes de uma forma geral.
Segui o meu roteiro de meditação e terapia ininterruptamente por vinte um dias até pegar o meu sanyas. Daí vem o nome swammy, tratamento sânscrito para homens e quer dizer o mestre de si mesmo. Anand Viboddha, que significa o despertar abençoado ou o despertar do êxtase.
Foram vinte um dias de muito choro, risos e silêncio. Na terapia da Rosa Mística, somos levados a recordar momentos que nos levem a esses dois sentimentos, alegria e tristeza. São sete dias para rir, sete dias para chorar e sete dias em total silêncio.
Jamais esquecerei dos benefícios dessa terapia. A paz e compreensão interiores que adquiri me acompanham até hoje.
Foi durante essa terapia que conquistei a oportunidade de viver os momentos mais mágicos de toda a minha existência até o presente e que vou contar agora.
Cap II
O Jantar
Todas as terapias eram muito caras, mas havia a possibilidade de pagar com trabalho dentro do Ashram. Como eu já falava alguns idiomas, me inscrevi como intérprete para pessoas que necessitavam de inglês, francês, espanhol, italiano ou português.
Para minha sorte, a terapeuta da Rosa Mística era brasileira, com a segunda língua em francês. Meu francês era razoável e meu português é língua materna.
Dois dias antes do início da terapia, verifiquei no meu quadro de avisos que havia uma pessoa interessada em um interprete, justamente para a terapia a qual eu estava interessado em fazer. Com as roupas de meditação, uma veste inteira parecendo um vestido, me dirigi até o endereço indicado. Lá, um terraço fantástico, todo decorado com peças formidáveis vindas de muitos lugares da Ásia. Quadros, esculturas, adornos, mobília, tapetes, almofadas e uma infinidade de objetos me deixaram abobalhado.
Um segurança me abordou e muito gentilmente me disse que deveria me revistar. Após a revista fui autorizado a entrar numa sala pequena cheia de almofadas e tapetes deliciosos que exalava uma fragrância de mirra que nunca mais consegui encontra.
Um rapazinho com não mais de vinte anos, bem magro e muito bem vestido, entrou e começou a conversar em inglês comigo sobre temas bem variados. Me chamaram a atenção a maneira formal como ele se expressava e o gestual nobre e muito aristocrático.
Ele morava em Londres e havia acabado de concluir seus estudos. Como recompensa, o pai havia lhe dado uma viagem de um ano pelo mundo antes que ele entrasse para a universidade.
Foram horas muito divertidas e bastante proveitosas em termos de conhecimento. O garoto era muito inteligente e perspicaz, gostávamos de muitas coisas em comum e tínhamos interesses bem próximos. Aquele dia ficou registrado em minha memória como um encontro de duas almas que já haviam convivido antes em outras vidas.
Fui embora sem saber se havia ou não sido contratado para ser seu intérprete. Muitos segredos envolviam a vida daquele rapaz, muitas perguntas sem respostas e um ar de desconfiança me fizeram pensar que eu não seria escolhido.
No dia seguinte, logo após a dinâmica, fui novamente ao quadro de avisos para verificar se havia algum outro interessado em intérprete. Para minha surpresa, lá estava o rapaz me aguardando para que tomássemos o café da manhã juntos.
Ele me disse que alguns outros candidatos tinham sido convocados, mas que ele tinha dado seu aval para mim. Fiquei bastante empolgado, mas ele me disse que o pai era quem escolheria e me convidou para que fosse jantar em sua casa naquela noite.Aceitei o convite, mas fiquei bastante agitado, pois não tinha roupas adequadas para um jantar daquela categoria.
Um pouco antes de sair para o jantar, vesti a minha melhor roupa ocidental, o terno com o qual havia viajado de avião, afinal de contas, terno é sempre terno. Tinha deixado minhas melhores roupas em Londres, pois tinha a intenção de me vestir com roupas indianas.
Peguei um juriquixá e fui em direção ao endereço onde seria realizado o jantar. Logo na entrada, alguns seguranças faziam a revista em todos os convidados. Um inglês, dois indiano, um francês, um italiano e eu, concorríamos ao posto de intérprete.
Durante o jantar percebi que foram servidos pratos de diversas nacionalidades. Não dei muita atenção ao fato, mas notei que todos os candidatos comentaram sobre um prato de seu país, inclusíve eu. Depois disso, fiquei atento ao comportamento de todos ao longo do jantar. Me sentia em desvantagem por ser um brasileiro concorrendo com pessoas do primeiro mundo e com os indianos, que afinal de contas eram da mesma nacionalidade do rapaz.
Muitas perguntas foram feitas a cada um de nós, desde amenidades como cor preferida, até coisas mais profundas como a relação familiar. Pelo que eu havia notado, parecia que a preferência do pai, um senhor de baixa estatura, muito bem vestido com roupas indianas que só se via em filmes, versado em assuntos que eu jamais me atreveria a discursar, era pelo inglês.
Após o jantar, fomos todas para outra sala, onde foram oferecidas bebidas não alcoólicas e um a um foi chamado para uma entrevista pessoal com o pai do rapaz. Eu só pensava em ir embora dali o mais rápido possível, mas para meu desespero, fui o último a ser chamado.
Com uma voz suave e discreta, gestos delicados e um ar de sofisticação, ele me ofereceu que tomássemos um café em outra sala. Eu o segui e lá ele perguntou por que eu estava na Índia. Respondi que buscava me conhecer verdadeiramente e que aquela diversidade religiosa só se encontrava naquele país.
Ele começou a falar de seu filho, me disse que nem toda a riqueza do mundo era mais importante que aquele garoto, que não concordava com todas as escolhas do filho, inclusíve a de participar das terapias, mas não o impedia de viver suas próprias experiências. Passamos algum tempo conversando sobre política mundial, relações entre nossos países, situação de cada um no mundo, características comuns entre os dois países, etc.
Antes que eu me retirasse, ele convidou o filho para que entrasse na sala em que estávamos e perguntou:
É esse rapaz que você quer como seu intérprete? Ele prontamente respondeu que sim. O pai dele então me cumprimentou e disse que ficaria muito satisfeito se eu aceitasse ser o companheiro do filho dele durante aqueles dias.
Nem preciso dizer o quanto fiquei feliz com a notícia, quase pulamos juntos de alegria não fosse o olhar atento do pai e a formalidade da ocasião. Quando saímos não havia mais ninguém na ante sala e pai e filho foram me deixar em casa.
Quase não acreditei que estava entrando pela primeira vez num Rolls Royce, um luxuoso carro inglês que simples mortais como eu só chegam perto quando tem exposição de carros de luxo em algum centro de convenções.
Cap III
Toda estória tem dois lados.
Nosso primeiro dia foi marcado por um pequeno desencontro. A terapia começava sempre às oito horas da manhã, mas naquela manhã, meu amiguinho tinha chegado cedo em minha casa e eu não estava, é que ele não fazia a dinâmica e não sabia que antes do café da manhã eu já havia feito uma hora e dez de meditação.
O Ashram é um lugar maravilhoso, desses que só aparecem em sonho, com jardins por todo lado, lindas flores, árvores e canteiros muito bem cuidados. Entre um prédio e outro, há sempre uma ampla calçada de mármore ou granito de desenhos variados, coberta por árvores frondosas e com banquinhos nas laterais, onde tem sempre gente conversando ou em silêncio profundo.
Aquela sensação de paz e tranquilidade que eu sentia ao atravessar aquelas calçadas jamais me abandonou. Hoje, quando quero me sentir bem, fecho os olhos e me lembro daqueles momentos de felicidade. Até o cheiro das plantas vem a mim trazendo aquele bem estar e paz interior.
Foi numa dessas calçadas entre o buda hall e o prédio do café da manhã que nos encontramos naquela manhã. Eu saía da meditação dinâmica para tomar café quando fui abordado pelo meu amiguinho. Ele estava muito afoito e apreensivo. Perguntei o motivo de tanta mudança e ele me respondeu que estava com medo de que o pai o fizesse desistir das terapias por não achar confiáveis.
Continuei sem entender o que estava se passando, mas pedi que ele me contasse o que estava acontecendo enquanto eu tomava café. Eu disse a ele que tudo tem uma solução pacífica. Precisamos manter nossa tranquilidade exatamente nos momentos em que a perdemos.
Nos dirigimos ao prédio do café da manhã. O local era bastante amplo e com muitos locais self service de frutas, bolos, comidas variadas e sempre muito bem balanceadas e naturais. Pães integrais, sucos feitos com frutas das mais exóticas da região, uma delícia diária. Enquanto nos pusemos a caminhar nas filas do serviço ele me contava o que estava ocorrendo.
- Meu pai ficou muito decepcionado quando fomos à sua casa e você não estava.
Eu disse a ele que meu dia no Ashran começava bem antes de ele acordar e expliquei que no momento em que nos encontramos eu já havia meditado por uma hora e dez.
Mesmo assim, o rapaz temia que não pudesse fazer a terapia da rosa mística por causa do desapontamento do pai.
Achei bastante estranho a situação, mas ainda assim me ofereci para conversar com o pai dele para que tudo ficasse claro para ele.
Demos continuidade ao nosso dia no Ashran e ao final do dia fomos ao encontro do pai naquele palácio elevado em que eles estava hospedados.
Mais uma vez tive que encontrar com o pai para que pudesse ter a chance de esclarecer o mal entendido. Novamente toda aquela formalidade para um encontro e passando outra vez por todo o tramite que não mudou em absolutamente nada, desde a revista até o encontro com o pai, passei por todas as etapas que já havia passado.
Ao encontrar o paí, desta vez em uma outra sala, muito mais formal e austera. O semblante atormentado e um olhar de reprovação me aguardavam com centenas de pedras na mão.
Com a mesma paz e um sorriso no rosto eu o cumprimentei e aguardei seus questionamentos.
Sua impaciência se transformou em curiosidade e, mesmo com toda a preocupação e aflição, ele jamais deixou de ser delicado na voz e suave no comportamento.
- Fomos ao seu encontro hoje pela manhã e ficamos bastante apreensivos quando não o encontramos.
Expliquei a ele que meu dia começava bem mais cedo e que a partir das 06:00hs eu já estava em atividade no Ashran.
Seu alívio foi flagrante, quase pude perceber um despencar de toda aquela postura reta e alinhada, mas ele se manteve impecável em sua posição de homem superior e rico.
- Gostaria de oferecer os serviços de meu motorista para que vocês possam ir juntos ao Ashram do Osho.
Eu disse a ele que para mim não seria problema algum, muito pelo contrário, mas que seria um inconveniente muito grande para o filho dele ter que acordar as cinco horas da manhã, tomar café e ir ao meu encontro e depois me aguardar ou ter que fazer uma meditação que talvez para ele não fosse interessante.
Ele mandou que chamassem o filho.
Quando o rapaz entrou começaram a conversar em um idioma que eu jamais havia ouvido, mas mesmo aqueles sons indefinidos para mim soavam delicados e harmônicos. Depois de alguns minutos de conversa, voltaram para o inglês. Se desculparam por terem me deixado de fora da conversa, mas precisavam conversar no próprio idioma por se tratar de assunto delicado e de opinião própria.
Saímos da casa e fomos para o apartamento que eu havia alugado em Caregaon Park, mais ou menos próximo de onde eles moravam, mas um ambiente muito diferente. Uma sala ampla com tatame, algumas almofadas sobre tapetes e uma foto do Osho na parede, uma cozinha sem muitos aparatos, mas bem ampla e de armários vazios, um quarto com uma cama grande e almofadas espalhadas sobre tapetes, nada muito diferente do ocidente, exceto pelo banheiro, este era diferente em todos os aspectos. Embora a decoração do apartamento fosse completamente oriental, desde os tecidos, forrações dos móveis, cores e tapetes, a arquitetura e disposição da mobília não eram muito diferentes do ocidente, mas o banheiro em nada parecia com os ocidentais.
Era um banheiro grande, todo compartimentado com um local específico para o banho, com uma banheira e um box com chuveiro, outro espaço para lavabo com uma pia desnecessariamente grande e espelho do chão ao teto. A área mais impressionante era a da higiene, um vaso sanitário onde as bordas não eram para se sentar, havia de cada lado da borda, um espaço para cada pé, isso mesmo, espaço para se colocar os pés, ao lado um balde e uma torneira baixa, um ralo cônico que afunilava escoava o resultado da limpeza. Esse banheiro me deixou bastante cuidadoso com os restaurantes e apertos de mão na Índia.
Entramos, o aroma do incenso que eu havia deixado antes de sair ainda perfumava o ambiente. Acendi novo incenso e nos sentamos no tatame, em menos de um segundo decidi fazer um chá e ele pediu para ir ao banheiro lavar as mãos. Lavei minhas mãos na cozinha enquanto fazia o chá e voltamos para o tatame para continuar a conversa enquanto o motorista aguardava em baixo, dessa vez com um BMW que pertencia ao garoto.
Muito feliz, ele me contou que estava muito satisfeito em poder fazer a meditação dinâmica comigo pela manhã. Me contou que o pai era muito reticente em relação ao Osho e que para ele poder fazer a terapia da rosa mística teve que apresentar outros referenciais teóricos para embasar a terapia como algo fundamental para o desenvolvimento e equilíbrio emocional do ser humano. Me disse que o pai queria controlar todo o período em que estivéssemos juntos, inclusive durante a terapia da rosa mística. O fato de eu estar fazendo a dinâmica foi muito benéfico para ele, pois já tinha ouvido falar do Osho e já havia lido muitas obras dele, o que aumentou o interesse em fazer tudo o que fosse possível dentro do Ashran.
Tomamos nosso chá e nos despedimos com um aperto de mão bastante formal, o dia começava cedo e não podíamos nos atrasar sob pena de não fazermos a meditação.
Cap IV
Rir e chorar é só começar.
]continua...
Estamos caminhando para um mundo cada vez mais globalizado. A natureza tem dado sinais de que o planeta suporta mudanças radicais e que os mais afetados são os que menos percebem sua própria fragilidade.
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